Prejuízos ferem vários setores da economia

Fonte: O Diario Maringá

 

Paulo Vital, proprietário de três postos de combustíveis de Maringá, calcula perda de aproximadamente R$ 60 mil, no total, durante a greve dos caminhoneiros. A paralisação chegou ao 10º dia ontem. Vital deixou de vender 90 mil litros de combustível em cada um dos postos, mas as despesas foram as mesmas.

"Eu não pude dispensar os funcionários porque não tínhamos certeza se viria combustível ou não. Então, toda a estrutura que temos montada para trabalhar em dias normais, tivemos que manter", explica o empresário.

Ontem (30), os três postos de combustíveis de Vital receberam gasolina e diesel - o etanol ainda está em falta. Os caminhões com cargas saíram com escolta policial. As filas eram grandes no começo do dia, mas no meio da tarde o movimento já estava mais tranquilo.

De acordo com informações do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados do Petróleo, Gás Natural, Biocombustíveis e Lojas de Conveniência do Estado do Paraná (Sindicombustíveis/PR), 70% dos 76 postos de Maringá já possuíam combustíveis no final da tarde de ontem.

Gás

Outro segmento que teve grandes prejuízos foi o de gás de cozinha. Segundo o Sinegás - sindicato que representa os revendedores do produto em 229 municípios do interior do Paraná -, os prejuízos somam cerca de R$ 21 milhões no Estado.

Com as manifestações dos transportadores de cargas os caminhões-tanque não conseguiam chegar às companhias que envasam gás. Além disso, os veículos carregados com os botijões também não puderam seguir viagem para fazer as entregas às revendas.

Levantamento do Sinegás apontou que muitos empresários do setor já enfrentam dificuldades em cumprir os compromissos financeiros devido a paralisação.

"Três dias depois do começo das manifestações já ficamos sem botijões nas revendas, que tiveram que fechar as portas e dispensar os funcionários", conta a presidente do Sinegás, Sandra Ruiz.

Com a desmobilização e o bloqueio nas estradas, os caminhões com os botijões começam a chegar nas principais cidades do estado, e a previsão da entidade é de "sensação de normalidade" nos serviços a partir de segunda-feira (4). Contudo, o setor só deve operar como antes em 30 dias.

Laura Cortez Francisco, 59, está sem gás de cozinha desde o último domingo (27). E o jeito foi improvisar. "Temos uma churrasqueira improvisada. Peguei lenha e todas as madeiras que eu tinha no meu quintal e meu marido acendeu a churrasqueira, como minha mãe fazia antigamente. Fiz arroz, feijão, ovos e carne desse jeito. Depois, só usei o micro-ondas para esquentar a comida que foi feita na churrasqueira. Foi bem difícil, porque não estamos acostumados mais a essas coisas, né?", conta.PERDAS. Mercado calcula prejuízos durante os dez dias de greve dos caminhoneiros. — JOÃO PAULO SANTOS

INDÚSTRIA TEM PREJUÍZO DE R$ 3 BILHÕES, DIZ FIEP
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) afirma que até agora, a greve dos caminhoneiros já causou um prejuízo de cerca de R$ 3 bilhões para o setor de indústrias do Paraná. A informação foi dada na quarta-feira (30) pelo presidente da entidade, Edson Campagnolo.

De acordo com Campagnolo, as medidas tomadas pelo governo do Estado - que fez uso das forças policiais para garantir o abastecimento - amenizam a situação mas não solucionam o problema imediatamente. Ele acredita que o abastecimento só voltará ao normal em aproximadamente 15 dias.

Preocupado com a situação geral das indústrias, ele afirma que cerca de 90% das paranaenses - micros, pequenas e médias - terão dificuldades para realizar o pagamento dos honorários deste mês, e também para arcar com o pagamento de impostos, duplicatas e demais compromisso financeiros.

Campagnolo destacou a integração do setor produtivo com o Governo do Paraná, a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária e o Exército Brasileiro, na busca pela solução dos problemas e, ressaltou ainda, o importante papel da imprensa no que tange a cobertura e reportagem da realidade do povo, bem como os impactos causados pelas manifestações dos cidadãos.

"Todas essas forças cooperadas estão sendo fundamentais para garantir o sucesso da operação e a segurança naqueles locais onde havia manifestações que não estavam ligadas às reivindicações trazidas", disse. /// Lethícia Conegero

 

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